Uma Aventura Humana
- 5 de jun. de 2018
- 2 min de leitura
Viver e conviver têm sido um desafio permanente ao ser humano, tendo sido potencializado desde que este se tornou uma espécie com poder hegemônico no planeta. Os conflitos inerentes a tal situação devem ser enfrentados a partir de parâmetros que cada sociedade propõe, considerando variáveis e demandas construídas historicamente. Assim, noções como bem estar, saúde ou felicidade, por exemplo, não podem ser tratadas como fatores brutos, individuais, sem conexão com o contexto mais amplo.
Vivemos um período histórico ainda marcadamente influenciado pelo paradigma moderno que há cerca de quatrocentos anos nos condiciona a viver a vida pelo prisma da dicotomia. Eu/tu, nós/eles, natureza/cultura, mente/corpo e por aí vai... ou seja, vivemos pela lógica da exclusão, do “ou”: ou se é isso ou aquilo. E isso ou aquilo mantém entre si uma relação de hierarquia, oposição e, muitas vezes, de exclusão. Essa condição nos permitiu avanços extraordinários no que tange a diversos setores, notadamente nas tecnologias que nos possibilita comodidades impensáveis até há pouco tempo.
Entretanto, pagamos um preço considerável por tais comodidades. As classificações, necessárias para os diversos tipos de desenvolvimentos, impõe ao ser humano limitações e restrições incompatíveis com a plenitude com que a vida deve ser vivida. As vivências se tornam incompletas e, consequentemente, destituídas de sentido e de significado. Lançamo-nos, então, com cada vez mais afinco às experiências das mais variadas, sem termos consciência do que buscamos, na esperança de aplacar sentimentos e sensações que nos atormentam a alma. Via de regra, tal empreitada torna-se inócua, quando não, danosa.
Não nos atentamos que a alma, como a vida, não pode ser compartimentalizada, datada, classificada... A existência humana se constitui numa dimensão qualitativamente diferente do que se processa nas fábricas, nos escritórios, nos laboratórios ou nas igrejas. O ser humano, como vivente, tende à expansão, ao encontro com o outro e consigo mesmo, à superação e ao infinito.
Comentários