O Valor do Tempo
- 26 de jun. de 2018
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O tempo sempre foi um desafio para o ser humano: dominá-lo, aproveitá-lo, adiantá-lo, retardá-lo, resgatá-lo... São tantos os tipos de ambições nessa relação, que todas as filosofias não deram conta de esgotar seus mais variados espectros e nuances. Tempo, tempo, tempo...
Na contemporaneidade esses dilemas foram redimensionados devido às evoluções tecnológicas que nos impuseram outro tipo de relação com o tempo: a virtualidade. Nos espaços virtuais das redes, o tempo, assim como o espaço físico, é manobrado de forma absolutamente nova para a compreensão humana. E, por isso, talvez uma das características mais marcante dessa nossa era seja a forma como lidamos com o tempo e a velocidade com que a vida se processa. Tudo é muito rápido e precisa ser. Os deslocamentos, as comunicações, as informações, as decisões... Esse contexto nos imprimiu uma sanha por resultados cada vez mais rápidos e precisos. Não temos tempo a perder.
Nesse alucinante mundo novo, por vezes nos esquecemos que os afetos humanos seguem um ritmo próprio e uma lógica distinta do cotidiano tecnológico que nos acostumamos a vivenciar. Não raras vezes, tal disparidade tem provocado, em um grupo crescente de pessoas, variados tipos de reações que vão de leves desconfortos emocionais às profundas angustias existenciais.
É possível que essa seja a nossa forma de reeditar a clássica relação entre a emoção e a razão, que nunca foi muito harmoniosa, mas que nos tempos atuais, ganha ares de competição ainda mais acirrada, uma vez que a razão tem conquistado aliados importantes como a tecnologia e os medicamentos. Tanto um como outro buscam deixar nossa vida mais rápida e eficiente. Mas, a que preço?
Para muitos, esse preço é alto demais e a própria vida vai perdendo substância e significado, gerando ansiedades e angustias tão comuns atualmente, que, curiosamente, alimenta o mercado tecnológico e medicamentoso, perpetuando um perverso circulo vicioso.
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