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Sobre Emoções

  • 7 de ago. de 2019
  • 2 min de leitura

A dinâmica da vida contemporânea tem sido marcada por características bastante peculiares: individualismo, consumismo, transitoriedade, superficialidade, ceticismo... esta parece ser a tônica distintiva dos tempos atuais. Vivemos a era da informação em tempo real, soluções ágeis, diagnósticos instantâneos, possibilidades imediatas, vida em alta rotação. Não temos tempo a perder. Há de se ser eficiente e para isso, rápido, conciso, direto, objetivo, racional...

Nesse contexto, presume-se que todos os comprometimentos psíquicos devam ser compreendidos nessa perspectiva e, portanto, serem tratados de forma. Rápida, eficiente, direta, objetiva, racional. Consequentemente, a psiquiatria, amparada pelo avanço das neurociências e da psicofarmacologia, assume a primazia na solução de todas as demandas psíquicas.

Mas realmente funciona?

Tentando evitar a armadilha das generalizações, mas não me furtando a correr riscos, ouso afirmar que não. Pelo menos não de forma efetiva. Não há como conceber que todas as mazelas psicológicas atuais são fruto de falhas em conexões neurais ou de más formações ou afecções cerebrais. Tais ocorrências, nas quais é imprescindível intervenção química, são especificas e minoritárias no amplo espectro denominado de sofrimento psíquico. Contudo, a terapêutica mostra-se insistentemente única e, tomando o geral pelo particular, recorre-se com certo despudor à medicalização de forma ampla, geral e irrestrita.

Há robustos indícios de que boa parte das perturbações psicológicas está diretamente relacionada com o estilo de vida atual. A velocidade dos avanços tecnológicos em praticamente todas as esferas do viver humano nos impôs uma rotina extremamente estressante, que acaba por contaminar nossas relações tanto com o outro, como com nós mesmos.

E é nessa realidade que acabamos por negligenciar aspectos fundamentais da constituição do Humano. A emoção é a principal vítima desse estado de coisas. Pois de repente, o emocionar-se, o entrar em contato com os afetos, o sentir, passa a ser encarado como fraquezas que virtualmente incapacitam a pessoa a viver plenamente na sociedade atual. O estereotipo da pessoa bem sucedida hoje é aquela que é rápida, concisa, direta, objetiva, racional; que não perde tempo com sofrimentos emocionais. E se algum resquício de humanidade se manifestar, na forma de alguma tristeza ou certa ansiedade, sempre há um comprimido qualquer para se corrigir os rumos da vida.

É por isso que a prática psiquiátrico-medicamentosa atual é praticamente hegemônica. Contudo, os sofrimentos psíquicos persistem e se tornam cada vez mais dramáticos.

Por quê?

Porque, como dito acima, a fonte de parte significativa desses sofrimentos não é da ordem do funcionamento cerebral. Ela é de outra instância, de outra qualidade, de outra realidade. O que chamamos de realidade psíquica é diversa, múltipla e complexa, mas que se alicerça na consistência e na maturidade emocional. E essa consistência e maturidade estão sempre em evolução, num processo continuo que exige investimento e cuidado. E esse investimento e cuidado demandam tempo. Tudo o que não dispomos nos dias que correm.

Entretanto, é somente através do cuidado com a dimensão emocional, com o interno, que poderemos aproveitar as comodidades que os avanços tecnológicos atuais nos proporcionam.

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