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Encontros Necessários

  • 14 de out. de 2019
  • 2 min de leitura

Toda dinâmica humana está baseada na realização de encontros. O outro, para nós, é a condição para nos viabilizarmos enquanto espécie. Isso é uma verdade biológica, mas também é uma verdade psicológica. Ninguém é uma ilha. Contudo, é na constatação de tal verdade que reside grande parte das disfunções psíquicas e sofrimentos humanos.

As fantasias de onipotência e de autossuficiência, nas quais a ideia de autonomia plena reina absoluta, são disseminadas como metas a serem atingidas visando sucesso e paz interior. Não depender de ninguém material e emocionalmente é classificado, nessa linha de raciocínio, como requisito básico para se atingir certa plenitude. Logo, o outro só pode ser considerado como meio para que eu atinja meus objetivos, ou como obstáculo a eles. O utilitarismo e a desconfiança passam a ser, portanto, o mote das relações sociais.

É flagrante a contradição entre esse mote e a nossa condição de seres humanos e, consequentemente, seres que necessitam, por definição, do outro. E talvez possa parecer simples a solução para os diversos problemas advindos de tal contradição, entretanto nada é mais falso que essa ideia. Pois de simples, essa solução, não tem nada.

Como já mencionado, um individuo só se torna humano na relação com outro individuo humano. Nesse sentido, a humanidade não é dada, certa, inata ou natural; não é uma característica própria do Homo Sapiens, como o polegar, por exemplo. Ela é apreendida, construída e desconstruída continuamente, num processo ininterrupto e progressivo. Consequentemente, a constituição da subjetividade e seu desenvolvimento dependem da constituição e desenvolvimento dessa relação. O autoconhecimento, tão propagado atualmente como alicerce para qualquer tipo de evolução pessoal, depende fundamentalmente, por mais paradoxal que possa parecer, do outro, que será sempre diferente em algum grau de mim.

Assim, é na alteridade que nos encontramos a nós mesmos e é nela que fundamos nossa identidade. A psicoterapia é um processo que permeia toda essa amalgama de possibilidades, permitindo que, através de uma consistente e intensa relação humana, possamos superar deficiências emocionais e administrar conflitos psíquicos advindos da árdua tarefa de nos tornarmos sempre, cotidianamente, humanos.

 
 
 

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