Psicoterapia em tempos de pandemia
- 1 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
Vivemos tempos extremamente peculiares. As modificações no modo de vida por conta do aparecimento do novo coronavírus sacudiram todas as estruturas cotidianas. A prevenção ao contágio por um vírus desconhecido e de consequências drásticas, nos impôs um novo modo de conviver em sociedade. Pelo menos até o aparecimento de vacinas ou remédios que possam nos imunizar desse mal, o uso de máscaras, a intensificação de higienização pessoal e ambiental, o afastamento social têm sido prescritos como únicas formas eficazes de minimizarmos os agravos dessa pandemia. Esse contexto nos obriga a reavaliar procedimentos em todas as áreas do viver humano, e redefinir estratégias e conceitos até então consolidados. A psicologia, claro, não fica à parte dessa nova realidade. E profundas reflexões já estão em curso e uma nova forma do fazer profissional já se realiza. Dentre as inúmeras redefinições em andamento, está o uso da “psicoterapia on line”. Recurso já utilizado por muitos profissionais há algum tempo, porém sempre com a característica de “alternativa”, ganha, nesse momento, status de única forma segura possível de se realizar o processo psicoterapêutico. Mas seria ela eficaz? O processo psicoterápico é, por definição, uma investigação dos afetos na constituição da subjetividade humana. Aprendemos, mais intuitivamente do que academicamente, que na experiência humana, os afetos são acessados pelos sentidos e, por via de consequência, pela proximidade física entre as pessoas. O olho no olho, o toque, o cheiro etc. compõe a “atmosfera” na qual os afetos são qualificados. Afinal “o que os olhos não veem, o coração não sente”... Acontece que a psicoterapia é uma experiência humana muito particular, que não deve ser confundida com nenhuma outra. Por mais que o paciente busque essa relação, muitas vezes confundindo os afetos vividos em uma e em outras experiências, cabe ao profissional trabalhar essa situação e fazer com que o paciente perceba a dinâmica que a envolve, relacionando-a com a demanda investigada no momento. Nesse sentido, acredito que a psicoterapia realizada de forma remota pode ser tão eficaz quanto a presencial, mas que para isso é necessário um profundo empenho técnico e disposição emocional do profissional que se proponha a enfrentar tal desafio.
Comentários